Exposição com artistas que fizeram parte da história da Ybakatu Espaço de Arte vai ocupar uma casa no Batel, em evento inédito.

 

Duas décadas de arte

Ocupar um espaço de arte exige conhecimento, relacionamento, memória e história. Além é claro, de muita persistência. E é assim que a Ybakatu Espaço de Arte completa duas décadas de existência, ajudando a construir a história da arte de Curitiba. O espaço nasceu em 1995, por iniciativa da escultora Tuca Nissel. Ao completar o curso na Escola de Música e Belas Artes do Paraná (EMBAP), ela precisava de um lugar para expor o projeto de conclusão de curso.

Assim, a casa que morou em Curitiba desde os dois anos de idade e que na época estava desocupada, serviu de local para exposição “Volumes Reais- Virtuais”. A ideia era ocupar uma sala do que seria um espaço comercial, na Rua Itupava, no bairro alto da XV.  A arte, no entanto, tomou um espaço maior e pouco tempo depois a casa inauguraria já como um lugar para abrir mais do que exposições, abrir possibilidades.

Foram mais de cem exposições em 20 anos. Poucos museus municipais e estaduais fizeram tanta história quanto a Ybakatu. O espaço serviu de abrigo para dezenas de artistas para mostrar o seu trabalho e o local foi se transformando em uma galeria aglutinadora que serviu como vitrine para muitos profissionais. A escultora que virou galerista serviu como ponte para vários artistas, participando de feiras nacionais e internacionais e levando obras de diversos artistas para a cena mundial.

A galeria funcionou na rua Itupava até 2011, quando se mudou para a Rua Francisco Rocha, onde funciona atualmente. Agora, para marcar os 20 anos de atuação da Ybakatu Espaço de Arte, a galeria ocupará durante o período de um mês, uma casa na Rua Carmelo Rangel, no Batel.

O objetivo é  mostrar obras dos artistas atualmente vinculados à galeria e resgatar a memória dessas duas décadas de atuação. Serão expostas diversas obras de 28 artistas, que utilizam as linguagens de escultura, pintura, fotografia, vídeo-arte e performance nos seus trabalhos.

Para registrar a memória dos 20 anos da galeria, será produzido um material gráfico e digital, com todo o histórico de exposições, feiras de arte e demais eventos, que será lançado na última semana da ocupação.

A casa estará aberta para visitas de 21 de novembro a 20 de dezembro, de terça a sábado, das 14h às 20h e domingos das 13h as 17h. A entrada é franca.

  • Serviço

  • Participação em Feiras

  • Artistas da Galeria

  • Registros da Exposição

Serviço:

20 anos da galeria Ybakatu Espaço de Arte

De 21 de novembro a 20 de dezembro.

Terça a sábado, das 14h às 20h e domingos das 13h as 17h

Rua Carmelo Rangel, 455. Batel

Tel 41 3264-4752

Entrada franca.

PARTICIPAÇÃO EM FEIRAS

2000 - Feira de Arte Contemporânea – Lisboa / Portugal

2007 - ARCO - Madri / Espanha. Solo Project com Debora Santiago.

2008 - ARCO - Madri / Espanha

2008 - SP Arte / São Paulo / Brasil

2010 - ARCO - Madri / Espanha

2010 - Volta 6 - Basel / Suiça . Solo Project com João Loureiro.

2011 - ARCO - Madri / Espanha

2011 - Volta NY . Solo Project com C.L. Salvaro

2011 - SP Arte / São Paulo / Brasil

2012 – ARCO – Madri / Espanha

2012 - SP Arte / São Paulo / Brasil

2013 – ARCO – Madri / Espanha

2013 - SP Arte / São Paulo / Brasil

2014 – ARCO – Madri / Espanha

2014 - SP Arte / São Paulo / Brasil

2014 - Feira Parte / São Paulo / Brasil

2015 - SP Arte / São Paulo / Brasil

2015 - Feira Parte / São Paulo / Brasil

2016 - SP Arte / São Paulo / Brasil

 

ARTISTAS DA GALERIA

Alex Flemming (1954, São Paulo – SP. Vive e trabalha em Berlim).

Brandon LaBelle (1970, Los Angeles – EUA. Vive e trabalha na Dinamarca).

C.L. Salvaro (1980, Curitiba – PR, vive e trabalha em Belo Horizonte - MG).

Cláudio Alvarez (1957, Rosário / Argentina. Vive e trabalha em Curitiba).

Cristina Ataide (1951, Viseu. Vive e trabalha em Lisboa, Portugal).

Debora Santiago (1972, Curitiba - PR).

Fernanda Magalhães (1962, Londrina - PR).

Fernando Augusto (1960, Itanhém – MG. Vive e trabalha em Vitória - ES).

Fernando Cardoso (1970, Belo Horizonte - MG).

Fernando Ribeiro (1979, Curitiba - PR).

FOD (Francisco Olivares Díaz, 1973, Puerto Lumbreras - Espanha. Vive e trabalha entre Madrid e Murcia, Espanha).

Glauco Menta (1965, Curitiba - PR onde vive e trabalha).

Hugo Mendes (1980, Curitiba - PR onde vive e trabalha).

Isaque Pinheiro (1972, Lisboa - Vive e trabalha no Porto).

João Loureiro (1972, São Paulo - SP).

Leila Pugnaloni (1956, Rio de Janeiro. Vive e trabalha em Curitiba).

Ligia Borba (1952, Brusque- SC. Vive e trabalha em Curitiba).

Marcelo Scalzo (1970, Curitiba - PR).

Marcus André (1961, Rio de Janeiro – RJ).

Marta Neves (1964, Belo Horizonte - MG).

Nelo Vinuesa (1980, Valencia – Espanha).

Ricardo E. Machado (1980, Curitiba - PR, onde vive e trabalha).

Rogério Ghomes (1966, Ponta Grossa – PR. Vive e trabalha em Londrina - PR).

Sebastiaan Bremer (1970, Amsterdam / Holanda. Vive e trabalha em NY - EUA).

Sonia Navarro (1975, Puerto Lumbreras – Vive e trabalha entre Madrid e Murcia - Espanha).

Tatiana Stropp (1974, Campinas - Vive e trabalha em Curitiba-PR).

Yiftah Peled (1964, Afula / Israel. Vive e trabalha em Vitória - ES).

Washington Silvera (1969 / Curitiba. Vive e trabalha em Curitiba – PR).

Galeria Ybakatu, 20 anos

Fotografia Gilson Camargo

árvore que dá bons frutos
… é o que significa a palavra ybakatu

Em 1995, Tuca Nissel cursava o último ano do bacharelado em Escultura, na Escola de Música e Belas Artes do Paraná, quando a professora Ligia Borba propôs para cada aluno da turma a realização de uma exposição, como fechamento de curso. A Galeria Ybakatu nasceu dessa primeira experiência, uma exposição de trabalhos de sua proprietária, organizada por ela mesma, como tarefa acadêmica, em uma das salas da casa de sua família.

O entusiasmo com essa primeira mostra foi o estopim para converter o belo imóvel, localizado na Rua Itupava, 414, em uma Galeria de Arte, com a segunda exposição, de Débora Santiago, artista que se formou na mesma turma, sendo realizada em dezembro do mesmo ano.

Foi a partir do círculo de amizades da Tuca que a Galeria foi crescendo, e esse traço, essa ideia de contatos centrados em afeto sempre esteve presente nas suas ações, mesmo com o passar do tempo, com o profissionalismo, com o envolvimento de muitas outras pessoas. Talvez tenha contribuído pra isso o fato de que a Galeria ficava em uma casa, com ares de lar, que nunca teve semblante de cubo branco. Traço que, no entanto, foi guardado mesmo depois da mudança para outro endereço, em 2011, com a demolição do imóvel original.

Frequentar a Ybakatu sempre foi muito prazeroso! Fácil encontrar pessoas na cidade com ótimas recordações das aberturas de exposição nos sábados de manhã, das visitas às mostras, das situações especiais como em 1997, no bate-papo com Amilcar de Castro – inesquecível a situação de estar junto a várias pessoas, em uma das salas da Galeria, sentada no chão, aos pés dele…

Mas seria pouco lembrar apenas o lado mais afetuoso das experiências vividas junto à Galeria. A Ybakatu tornou-se ao longo desses 20 anos um polo de discussões sobre arte, de problematizações estéticas, uma instância cultural relevante, para muito além dos contratos comerciais realizados.

Desde sua inauguração, a Galeria se configurou em um espaço de encontros, local de experiências estéticas – para artistas, críticos, curadores e também para o público, com um sentido de aprendizado coletivo, participativo, compartilhado. Sempre teve espaço para a experimentação – tanto para trabalhos pouco convencionais em se tratando de mercado das artes, como para propostas curatoriais inovadoras.

Nesse sentido foram realizadas na Ybakatu, desde 1995, 94 exposições, além de lançamentos de livros, mostras de vídeo e performances; cabe destacar também que desde 2000, a Galeria também tem uma forte atuação fora de Curitiba, com a participação em 19 feiras de arte, no Brasil e exterior, incluindo 7 ediçoes da ARCO, em Madri.

Outro traço que vale a pena salientar é a continuidade dos trabalhos da Galeria, em um período de tantas mudanças no cenário das artes. Nos últimos 20 anos, quando a Ybakatu atuou de modo ininterrupto, presenciamos em Curitiba as duas últimas edições da Mostra da Gravura, as três únicas edições da Bienal de Fotografia, o advento das Feiras de Arte no Brasil, com 11 edições da SP-Arte e 5 da ArtRio, em paralelo a 9 edições da Bienal de São Paulo, a fundação do Instituto Cultural Inhotim. A abertura e o fechamento de algumas galerias de arte. Uma árvore pode ser plantada por uma pessoa, mas ser cuidada por muitas.

A escolha do nome Ybakatu, além de traduzir o entusiasmo que cerca o início de qualquer projeto, teve um que de generosidade. Uma árvore que dá bons frutos pode fazer bem a muitas pessoas, gerar saciedade, doçura.

Ao dar esse nome à Galeria recém-inaugurada, sua proprietária delineou os principais traços do novo projeto… que essa árvore dure muito e que seus frutos possam continuar a ser cuidados e compartilhados por muita gente!

Simone Landal – Curitiba, novembro de 2015.

Galeria Ybakatu 20 anos

Veja os registros da exposição no site Olhar Comum.